segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Magnífico e Eterno John Barry!

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John Barry (3-Nov-1933 * 30-Janeiro-2011)
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Deu ontem entrada, por seus indiscutíveis merecimentos, na galeria dos eternos.
A sua obra continuará a encantar para sempre as gerações - nos filmes e nas colectâneas de gravações felizmente disponíveis em abundância.
Quem não se lembra?

... Out of Africa     ... Danças com Lobos
... The Lion in Winter     ... Zulu
... James Bond (série)    ... Midnight Cowboy
... King Kong    ... Mary, Queen of Scots
... The Cotton Club    ... The Scarlet Letter...
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... e tantas, tantas outras composições inesquecíveis!
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Recordamo-lo com Born Free, um dos temas em que ele soube magistralmente captar, em notas magnificentes e empolgantes, o poderoso sortilégio da velha e amada África...
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domingo, 30 de janeiro de 2011

Sóror Mariana Alcoforado - Paixão verídica ou fictícia de uma freira portuguesa?

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Sóror Mariana Alcoforado (1640-1723) foi uma freira clarissa portuguesa, do Convento de Nossa Senhora da Conceição, em Beja.
É-lhe atribuída a autoria de cinco cartas de amor dirigidas a Noell Bouton de Chamilly, conde de Saint-Léger, marquês de Chamilly, oficial francês que lutou em solo português, contra os Espanhóis, na longa Guerra da Restauração (conflito que os Portugueses sustentaram contra os seus vizinhos ibéricos, após terem recuperado destes, em 1640, a independência perdida no ano de 1580).
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Conta-se que Mariana Alcoforado terá visto Chamilly, pela primeira vez, a partir do terraço ou de uma janela do convento de Beja de onde assistia às manobras do exército.
O episódio, se autêntico, terá ocorrido entre 1667 e 1668 – e aí se terá iniciado uma controversa ligação amorosa.
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Chamilly abandonou Portugal a pretexto da enfermidade de um irmão, prometendo à sua apaixonada freira que a mandaria buscar. Falsa promessa, pelos vistos. Na longa e baldada espera, Mariana escreveu ao oficial francês as cinco cartas, que reflectem a dramática evolução dos seus sentimentos: esperança, incerteza e, finalmente, a convicção do abandono.
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As Cartas Portuguesas, publicadas em francês no ano de 1669 (Les Lettres Portugaises, Paris, Claude Barbin), são cinco curtas missivas de amor. Transparece nelas o amor incondicional e exacerbado da jovem Mariana, que afirma sofrer horrores com a distância do amado.
As cartas vão aos poucos perdendo o tom da esperança e transformam-se em pedidos lancinantes de notícias. Patenteia-se a solidão de Mariana, a intensidade dos seus sentimentos, a vontade de reter Chamilly a seu lado.
Ao que parece, o destinatário não correspondeu em grau idêntico.
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O êxito literário das Lettres Portugaises foi enorme, e a figura trágica de Mariana Alcoforado tornou-se num símbolo do amor-paixão e tema literário universal.
O nome da freira ficou conhecido desde que o erudito Boissonade aceitou como verdadeira uma nota manuscrita no seu exemplar da primeira edução. Traduzo do francês: “A religiosa que escreveu estas cartas chamava-se Mariana Alcoforado, religiosa em Beja, entre a Extremadura e a Andaluzia. O cavaleiro a quem as cartas foram escritas era o conde de Chamilly, dito então conde de Saint-Léger”.
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A autoria das cartas tem sido muito contestada. Rousseau, por exemplo, negava-lhes autenticidade. Em Portugal, Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco seguiram-lhe as pisadas. Há quem as atribua a Lavergne de Guilleragues, apresentado desde início como simples tradutor das mesmas (do português para o francês).
Há, porém, quem defenda convictamente a veracidade das mesmas, como, por exemplo, Luciano Cordeiro, num estudo muito interessante que dedicou ao assunto.
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O célebre Júlio Dantas, que escreveu uma peça teatral inspirada no caso (Sóror Mariana) e que a isso ficou a dever, em grande parte, o ferocíssimo ataque que Almada Negreiros lhe dirigiu no conhecido Manifesto Anti-Dantas (ver, neste blogue, 17-Maio-2008), achava as duas hipóteses possíveis (a verdade ou a falsidade do caso amoroso).
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Sobre esta polémica vale a pena transcrever umas palavras do próprio Júlio Dantas na introdução da 4.ª edição da sua obra (Editora Portugal-Brasil, Lisboa, 1915). Ele dirige-se a uma senhora que se terá manifestado indignada perante a versão dos amores fornecida na referida peça teatral e que sustentava a impossibilidade da sua ocorrência para lá dos muros de um convento.
É mentira! É mentira!”, terá ela bradado em altas vozes durante a primeira representação da peça.
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Resposta de Júlio Dantas:
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“ (...) Tenho pena de não poder mostrar-lhe os documentos inéditos cuja cópia aqui está, diante de mim.
Se soubesse, minha senhora, o que foram durante dois séculos os conventos de freiras de Portugal, v. ex.ª repetiria, decerto, a frase amarga do Duque de Saint-Simon a respeito duma casa de capuchas da Bretanha: «religiosa que de lá sai, é porque quer ser uma mulher honesta».
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Mentir — para quê?
Sossegue. Tranquilize o seu espírito, minha senhora.
Houve, evidentemente, um facto de amor, desconhecido e vago, de que as cinco Cartas foram a consequência literária. A minha peça é apenas a dramatização conjectural desse facto.
Nada se sabe ao certo.
Tudo pode ser verdade.
Tudo pode ser mentira.
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Em volta do fait divers de Sóror Mariana, precisamente porque se ignora tudo, são legítimas todas as tentativas lógicas de interpretação.
A minha é má?
Dê-me a sua.
Prometo-lhe remodelar a peça — e fazê-la representar outra vez.
Já agora, minha ilustre inimiga, confesso-lhe que me move uma ambição: quero que as suas pequenas mãos me aplaudam, para que eu possa ter, minha senhora, a honra de lhas beijar — menos literariamente.”
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sábado, 29 de janeiro de 2011

Quando eu morrer (Ernesto Lara Filho - Angola)

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Quando eu morrer
eu quero que o N'Gola Ritmos
vá tocar no meu enterro.
Como Sidney Bechet
como Armstrong
eu gostarei de saber
que vocês tocaram no meu enterro.
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Lá no céu
também há angelitos negros
e eu gostarei de saber
que vocês
me tocaram no enterro.
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Se não puder ser
deixem lá
tocarão noutro lado qualquer
com lágrimas nos olhos,
como naquela noite
em casa do Araújo,
lembrarão o companheiro
das noites de Luanda,
das noites de boémia,
das tardes de moamba.
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Ah! Quando eu morrer
já sabem
quero que o meu caixão
vá no maxibombo da linha do Cemitério
quero que toquem
a Cidralha
ou convidem a marcha dos Invejados.
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É assim que eu quero ir
acompanhado da vossa alegria
bebedeiras seguindo o enterro
as velhas carpideiras de panos escuros
quero um kombaritókué dos antigos
que vai ser muito falado.
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Não convidem mulatas
que sempre estragam tudo.
Se vierem
não lhes vou rejeitar.
Cantem apenas
alguns dos meus poemas
até enrouquecer.
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Ah! quando eu morrer
eu quero o N´Gola Ritmos
tocando no meu enterro.
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Ernesto Lara Filho (1932 -1977)
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(para o Aniceto Vieira Dias e o "Liceu" do "N'Gola Ritmos")
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Imagem: Luanda, Angola, à noite (vista da baía)
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Chove, em Santiago...

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Santiago de Compostela - Galiza - Espanha
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Santiago de Compostela - Galicia - España
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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

"Este capitalismo não tem remissão" (ou: por que razão estão cortando seu salário...)

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"(…) Com excepção da China, não há uma única economia nacional relevante que não esteja neste momento dependente das consequências das aventuras criminosas do sector financeiro.
A Islândia é um bom ponto de partida: uma ilha no meio do Atlântico, com uma população igual à da cidade do Porto, uma economia próspera, um sistema social perfeito e solvente.
De repente, desregulado o sistema financeiro, rapidamente a banca islandesa tinha outorgado empréstimos numa quantia equivalente a dez vezes o PIB do país e, entre outras coisas, para financiar jovens tycoons que queriam comprar lojas de luxo em Oxford Street, em Londres.
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Quando os empréstimos começaram a não ser pagos, a banca islandesa ficou à beira da falência e o Estado teve de acorrer, mobilizando tudo o que tinha.
A dívida pública disparou, as empresas fecharam por falta de crédito, o desemprego cresceu até aos 12%.
O mesmo cenário na Irlanda (que agora teve de mobilizar os fundos das pensões de reforma dos trabalhadores para tapar os buracos da banca), e o mesmo cenário nos Estados Unidos - e daí para o mundo inteiro.
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Para quem não conhece bem a história, recomendo que veja o filme "Inside Job", cuja maior contribuição é mostrar a cara de alguns dos protagonistas da urdidura - e é sempre bom ver a cara dos criminosos: explica muito do que não se consegue explicar.
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Resumindo, a história é esta: aproveitando a sua sublime ignorância, Ronald Reagan foi facilmente convencido a desregulamentar o mercado financeiro: se o Estado nada controlasse, explicaram-lhe, a banca funcionaria livremente, haveria crédito abundante e barato para todos e a economia prosperaria.
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Clinton não conseguiu ou não quis rever a libertinagem e Bush-filho, esse idiota trágico, ainda aprofundou a ribaldaria e aliviou-a de impostos.
Livres de vigilância, pressionados pelos accionistas em busca de lucros rápidos e aliciados por milionários prémios de gestão, os gestores financeiros americanos entregaram-se alegremente a uma década de irresponsável bebedeira.
O mais à mão que tinham era o crédito imobiliário (tal como cá...), e desataram a financiar compras de casas, emprestando 99% do seu preço a quem não tinha hipótese alguma de as pagar.
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Com isso, fizeram subir exponencialmente o preço das casas, criando a célebre 'bolha imobiliária', e produzindo os chamados 'activos tóxicos', sob a forma de hedge funds e 'produtos derivados' - que começaram a vender aos clientes como investimento garantido e de retorno excepcional.
Para tal, contaram com a conivência das agências de rating (as mesmas que agora especulam contra a nossa dívida soberana, impondo-nos juros de 7% ou mais - a Moody's, a Fitch, a Standard & Poor's).
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 Sem nenhum escrúpulo, as agências, que recebiam tanto mais dos bancos quanto mais valorizassem os seus 'activos tóxicos', atribuíram-lhes as cotações máximas, levando os incautos ao engano.
Entretanto, os mesmos bancos que promoviam a venda dos activos tóxicos como produtos seguros perante os seus clientes, resguardavam-se inventando os CDS (credit default swaps), uma espécie de seguro contra a insolvência dos tóxicos.
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Ou seja, ganhavam duas vezes, roubando os seus clientes: ganhavam vendendo-lhes lixo e ganhavam apostando na sua falência.
Quando, como era inevitável que acontecesse, os créditos imobiliários começaram a não ser pagos, todo o sistema desmoronou.
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Milhões de americanos ficaram sem as casas que tinham começado a pagar. Milhões de aforradores, que tinham acreditado na credibilidade dos 'produtos derivados', ficaram sem as suas poupanças.
Bancos de investimento e de retalho abriram falência e arrastaram as empresas que deles dependiam e estas lançaram no desemprego outros milhões de americanos.
Mas, nessa altura, já os grandes accionistas e os seus gestores na banca estavam a salvo e tinham encaixado biliões de lucros roubados aos clientes e passados para as offshores.
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Estranhamente, com excepção de Roubini, nenhum dos gurus da economia tinha imaginado que pudesse implodir um sistema onde os lucros crescentes não correspondiam a riqueza crescente mas apenas a especulação, e que, numa economia global, uma crise desencadeada num dos seus pilares pudesse alastrar ao resto do mundo.
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Soube-se depois porquê: porque também a Universidade, a elite dos economistas, estava a soldo do sistema financeiro e pregava o que eles queriam.
A crise do sistema financeiro americano, desencadeada por práticas especulativas e criminosas, alastrou ao mundo e criou cinquenta milhões de desempregados, dezenas de milhares de falências de empresas viáveis, e obrigou os Governos a investirem uma parte inimaginável do dinheiro dos contribuintes e das poupanças dos reformados para salvar o sistema financeiro.
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Mas nada de essencial mudou.
Nos Estados Unidos, onde George W. Bush, o campeão do liberalismo, teve de nacionalizar bancos para salvar os ricos com o dinheiro dos pobres, Obama não conseguiu que o Congresso, dominado pelos republicanos, lhe aprovasse legislação para recuperar esse dinheiro roubado aos contribuintes, não conseguiu que lhe permitisse voltar a tributar os grandes lucros financeiros isentados de impostos por Bush e não conseguiu sequer livrar-se de ter como reguladores do sistema financeiro alguns dos grandes criminosos que o fizeram implodir, como os 'sábios' da Goldman Sachs.
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E as empresas de rating, as tais que aconselhavam a comprar créditos incobráveis, continuam a aconselhar os mercados a apostarem agora na falência de Portugal e de Espanha e na morte do euro.
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Antes de mais nada, esta é uma crise de valores éticos, de valores de vida em sociedade.
E mal vai o mundo se não há uma geração de líderes políticos com capacidade e coragem de fazer frente a este bando de abutres que suga o trabalho, o esforço e os sonhos de tanta gente que é vítima da sua ganância sem limite.
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Esse é o combate inadiável, sem o qual nenhum sacrifício do presente faz sentido."   (*)
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(*) - Miguel Sousa Tavares - Expresso – Lisboa – Portugal (30-Dezembro-2010)
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domingo, 23 de janeiro de 2011

Zdenek Burian, pintor da Pré-História (2) - Os Outros Seres

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Zdenek Burian
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O artista nasceu e faleceu na República Checa (1905-1981).
Além dos animais, ele reconstituiu de forma genial as primeiras manifestações da Humanidade na Terra, ilustrando as cenas do quotidiano - a caça, a arte, a cozinha (ver, neste blogue, 14-Dezembro-2010).
A sua paixão pelas paisagens e a estreita relação que manteve com arqueólogos e paleontólogos contribuíram decisivamente para a credibilidade das cenas que apresenta.
Grande parte das suas obras acha-se no Museu de Brno (República Checa).
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sábado, 22 de janeiro de 2011

A uma fábrica fechada (Domingos Carvalho da Silva)

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Atrás da pele de tuas paredes
os êmbolos dormem
e há nas sirenes um silêncio
de horizonte.
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Os dínamos guardam o repouso
dos minerais ocultos,
as alavancas dobram os joelhos na laje.
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Nas veias de cobre
o sangue é
apenas
um caminho de luz
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Quieta,
és como um esqueleto montado,
vazio de vozes humanas,
planeta morto.
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Quieta,
és uma pedra apenas,
e em tua superfície
morre de inanição
a última raiz do musgo.
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Domingos Carvalho da Silva (1915-2004)
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Domingos Carvalho da Silva nasceu em Portugal (Pedroso, Vila Nova de Gaia), mas, chegando criança ao Brasil, com seus pais, adquiriria em 1937 a cidadania brasileira por naturalização.
Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo.
Foi advogado, funcionário federal e jornalista.
E também poeta, contista e ensaísta.
Leccionou Teoria da Literatura na Universidade de Brasília.
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Grandes Quadros (Caravaggio)

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A Ceia de Emaús
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Michelangelo Merisi da Caravaggio
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Itália (1571-1610)
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(Clicar na imagem para ampliar)
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sábado, 15 de janeiro de 2011

A Invencível Armada Espanhola (1588)

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Em 1588, Filipe II (1527-1598) era rei de Espanha, de Nápoles, da Sicília e dos Países Baixos. E, também, de Portugal, país que a Espanha dominou no período compreendido entre 1580 e 1640, como consequência do desastre militar lusitano em Alcácer Quibir, Norte de África, em 1578 (ver, neste blogue, 16-Dezembro-2007).
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Nesse ano de 1588, Felipe II estava à beira de tornar o seu reino o maior império de que havia memória. Do seu lado tinha um poder absoluto, uma ideologia de pendor universal (o catolicismo militante da época, com propósitos de expansão da fé contra a heresia protestante), um exército e marinha temíveis e aliados poderosos como a Santa Liga e o Papa Sisto V.
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Como pretextos de acção imediata, Filipe II invocava os ataques dos corsários ingleses aos seus navios e portos e o suplício da rainha católica Maria Stuart, da Escócia, que fora mandada executar por sua prima, a rainha Isabel I da Inglaterra (1533-1603).

No caminho expansionista dos Espanhóis atravessava-se precisamente esta Inglaterra de Isabel I, a grande campeã herética contra o mundo católico, que constituía também uma ameaça devido ao desenvolvimento agressivo do seu comércio e aos ataques constantes às possessões ultramarinas da Espanha e de Portugal.

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Grandes forças terrestres, sob o comando do general espanhol Alexandre Farnésio, duque de Parma, preparavam-se nos Países Baixos para invadir a Inglaterra, logo que fosse eliminado o domínio inglês no canal da Mancha.
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Para isso, Filipe II encarregou o seu mais famoso almirante, Álvaro de Bazán, marquês de Santa Cruz, de organizar uma armada capaz de derrotar a inglesa. O marquês iniciou os preparativos, mas morreria em Fevereiro de 1588, pelo que o rei de Espanha tratou de nomear novo almirante, desta vez Alonso Pérez de Guzmán, duque de Medina Sidónia.
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Em carta ao rei, o duque de Medina Sidónia alertou para a sua completa ignorância das coisas do mar e para a sua inexperiência em assuntos de guerra. Mas o projecto foi avante. E assim se reuniram no rio Tejo, em Lisboa (Portugal), cerca de 200 velas e um exército de 20 000 homens – a mais grandiosa esquadra da Idade Moderna, considerada “invencível” pelo rei espanhol, e que, por tal motivo, ficaria conhecida nas páginas de história pela designação de La Grande y Felicísima Armada, ou Armada Invencible ou, ainda, Armada Española.
Eram portugueses muitos dos navios, tal como uma parte considerável das tripulações.

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No dia 9 de Maio de 1588, a Invencível largou de Belém para a barra, que só conseguiu ultrapassar a 28. A 19 de de Junho arribava à Corunha (Galiza, Norte de Espanha), apresentando-se dispersa, com água aberta nalguns navios, provisões apodrecidas e infestada de doenças.
Novas cartas então dirigidas a Filipe II só tiveram por resposta a ordem de apressar a partida, que se deu a 21 de Julho, chegando a Invencível à costa sudoeste de Inglaterra no dia 29.
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Entre as suas instruções minuciosas, Filipe II chamava a atenção para a superioridade dos navios ingleses – mais apefeiçoados em casco e armação e dotados de muito maior velocidade de marcha e de manobra; dispunham ainda de peças de artilharia superiores em número e em alcance de tiro. Por isso, dizia o rei, eles deveriam ser atacados por barlavento e a pequena distância.
Como é que isso se poderia fazer é que ele não explicava.
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De 29 de Julho a 6 de Agosto de 1588, a Armada Invencible seguiu de perto a costa inglesa (ver mapa). Embora revelasse uma precisão de manobra impressionante, para além de elevada disciplina e invulnerabilidade da sua formação em crescente, não conseguiu jamais forçar os Ingleses a uma batalha generalizada, nem, muito menos, obrigá-los ao combate próximo ou a manobras de abordagem.
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Os Ingleses, por seu turno, verificando que não conseguiam dispersar a temível formação em crescente, passaram a fustigar de longe com a sua artilharia, quase impunemente, os navios inimigos, obrigando a que estes, nas suas tentativas de resposta, fossem gastando inutilmente a maioria das 123 790 balas de canhão com que tinham sido abastecidos.
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No dia 6 de Agosto, a Invencible, às portas do perigoso mar do Norte, com necessidade inadiável de reabastecimentos, fundeou em frente do porto de Calais. O ânimo das tripulações era péssimo e o optimismo inicial desaparecera por completo.
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Nessa mesma noite, os Ingleses lançaram um ataque com navios incendiários, o que fez dispersar a Armada pela primeira vez.
A perseguição que logo se seguiu, e à qual os navios da Invencible mal podiam ripostar, causou as primeiras perdas sensíveis.
No dia 8 de Agosto os navios lograram voltar à formação, mas, apesar dos sacrifícios heróicos de alguns deles para forçarem as abordagens com os inimigos, só restaram como alternativas a fuga ou o aniquilamento total.
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Uma mudança de vento providencial ainda salvou a Invencible dos baixios de Dunquerque.
Medina Sidónia deu então ordem para que os navios regressassem a Espanha, contornando a Escócia e a Irlanda (cf. mapa).
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Foi uma viagem de pesadelo, em que a sede, a fome, o esgotamento, as doenças, o mau estado dos navios e violentas tempestades desfalcaram brutalmente a Armada. Mesmo assim, ainda se salvaram alguns navios (há divergências sobre o seu número, havendo autores que apontam para 53 embarcações regressadas a Espanha).
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Isabel I de Inglaterra recebe as suas tropas em Tilbury
 Convém rectificar algumas lendas  e inexactidões formadas desde então, especialmente no tocante à propalada inépcia do duque de Medina Sidónia, que comandou a Invencible. Hoje, já se lhe vai fazendo justiça e não terá sido ele o maior culpado do desastre.
Face às instruções que levava e às circunstâncias com que deparou, poucas decisões suas representam erros incontestáveis.
Mostrou-se modesto, sensato, corajoso, empenhado numa tarefa provavelmente irrealizável com os meios de que dispôs. Erros semelhantes aos seus foram cometidos pelas chefias inglesas, só que estas tiveram por si a vitória.
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Filipe II de Espanha recebe a notícia do desastre de La Invencible Armada
Consumado o desastre espanhol e o triunfo inglês, ambas as partes invocaram, à sua maneira, a intervenção divina.
Os católicos espanhóis lamentaram-se: “Não foram os homens que nos venceram, foi Deus!”.
Os protestantes ingleses, por sua vez, vangloriaram-se: A nossa causa é justa, Deus está connosco!
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De qualquer modo, a ambição de Filipe II saldou-se num rude golpe para o seu prestígio, ao passo que a Inglaterra viu aumentar a sua importância como potência marítima, abrindo-se-lhe mares antes vedados e podendo atacar de futuro, com diferentes perspectivas de êxito, os domínios ultramarinos espanhóis e portugueses.
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Quanto a Portugal, particularmente, faltando ainda 52 anos para recuperar a sua independência, o que aconteceu constituiu um gravíssimo desaire. Como se disse, muitos dos navios da Invencible eram portugueses, como o eram também centenas de marinheiros e soldados. O País sofreu as consequências de uma catástrofe que não havia provocado.
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Adaptado de:
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Rodrigo Machado – Armada Invencível – Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura – Vol. 2 - Editorial Verbo – Lisboa – Portugal.
Joaquim Veríssimo Serrão – Armada Invencível – Dicionário de História de Portugal – Vol. 1 – Livraria Figueirinhas – Porto – Portugal.
Antonio Ballesteros Beretta – Sintesis de Historia de España – Salvat Editores – Barcelona-Madrid – Espanha – 1952.
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