domingo, 30 de maio de 2010

Aberturas de Grandes Livros - "20 000 Léguas Submarinas" (Jules Verne - França)

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“O ano de 1866 foi assinalado por um acontecimento extraordinário, fenómeno inexplicável, que ninguém, por certo, olvidou ainda.
Não falando já nos rumores que agitavam as populações dos portos, de onde se transmitiam ao interior dos continentes, aqueles que mais interessados se mostraram foram os homens do mar.
Os negociantes, armadores, capitães de navios, mestres e contramestres da Europa e da América, oficiais das marinhas de guerra de todas as nações, e, depois destes, os Governos dos diversos estados dos dois continentes, todos se preocuparam com esse facto até ao ponto mais alto.
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Na verdade, já por diversas vezes algumas embarcações se tinham encontrado no mar com uma coisa enorme, objecto longo, fusiforme, fosforescente, e infinitamente maior e mais rápido do que uma baleia.
Os factos relativos a esse aparecimento, que constavam nos diversos livros de bordo, eram suficientemente concordes na estrutura do objecto ou ser em questão, na velocidade inaudita dos seus movimentos, na força surpreendente da sua locomoção e na vida particular de que parecia dotado.
Se era cetáceo, excedia em volume todos quantos a ciência tinha até então classificado. (…)
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(…) Que ele existia era inegável e, se atendermos a essa disposição inata que o cérebro humano tem para o maravilhoso, facilmente se compreenderá a sensação produzida no mundo inteiro por tão sobrenatural aparecimento.
Era impossível tomá-lo como fábula.
Efectivamente, a 20 de Julho de 1866, o paquete Governor Higginson, da Calcuta and Burnach Steam Navigation Company, tinha encontrado a citada massa móvel a cinco milhas a leste das costas da Austrália.
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A princípio, o capitão Baker julgou-se em presença de algum escolho desconhecido, e já se preparava para lhe determinar a situação exacta quando duas colunas de água, provenientes do estranho objecto, ou animal, subiram, silvando, até à altura de cinquenta metros.
Portanto, a não ser que o escolho estivesse sujeito às expansões intermitentes de um géiser, o Governor Higginson encontrara-se com algum mamífero aquático, até ali ignorado, que deixava sair pelas ventas colunas de água, misturadas com ar e vapor. (…)”
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Recorde o 'trailer' do filme que a Walt Disney produziu, em 1954, com base nesta famosa obra de Jules Verne.
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sábado, 29 de maio de 2010

Lusas Servidões...

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Fomos os "alunos exemplares" de Bruxelas:
aceitámos a destruição do nosso tecido produtivo com a submissão de quem não foi habituado a expor questões e a enumerar perguntas.
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Pescas, agricultura, tecelagem, metalurgia, pequenas e médias empresas desapareceram na voragem, em nome da "incorporação" europeia.
A lista de cúmplices desta barbaridade é enorme.
Andam todos por aí.
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(...) Os economistas que nos afundaram tratam da vidinha, com desenvolta disposição.
Nenhum é responsável do crime; e passam ao lado da insatisfação e da decepção permanentes, como cães por vinha vindimada.
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Impuseram-nos modos de viver, crenças (a mais sinistra das quais: a da magnitude do "mercado"), um outro estilo de existência, e o conceito da irredutibilidade do "sistema."
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Tratam-nos como dados estatísticos, porque o carácter relacional do poder estabelece-se entre quem domina e quem é dominado - ou quem não se importa de o ser.
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Baptista-Bastos - A Tendência da Servidão - Diário de Notícias - Lisboa - Portugal (26 de Maio de 2010)
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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Poema dos Olhos da Amada (Vinicius de Moraes - Brasil)

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Ó minha amada
que olhos os teus.
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São cais noturnos
cheios de adeus
são docas mansas
trilhando luzes
que brilham longe
longe dos breus...
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Ó minha amada
que olhos os teus.
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Quanto mistério
nos olhos teus
quantos saveiros
quantos navios
quantos naufrágios
nos olhos teus...
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Ó minha amada
que olhos os teus.
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Se Deus houvera
fizera-os Deus
pois não os fizera
quem não soubera
que há muitas eras
nos olhos teus.
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Ah, minha amada
de olhos ateus.
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Cria a esperança
nos olhos meus
de verem um dia
o olhar mendigo
da poesia
nos olhos teus.
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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Cartazes Antigos - Férias e Destinos (1)

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1 - Guatemala (cerca de 1940)
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2 - Alemanha (meados da década de 1930)
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3 - França - Paris (1955)
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4 - Inglaterra - Londres (1951)
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5 - Suécia - Lapónia (cerca de 1930)
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6 - Peru (década de 1950)
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7 - Itália - Veneza (1966)
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8 - México (cerca de 1950)
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9 - Rússia - Moscovo (final da década de 1950)
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10 - Noruega - Oslo (1955)
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11 - Espanha (1960)
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12 - Portugal - Ribatejo (1959)
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domingo, 23 de maio de 2010

Clãs da Escócia

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1 - MacCruimin
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2 - MacDonald of Keppach
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3 - MacArthur
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4 - Ulric
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5 - MacColl
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6 - Cumin
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7 - MacRae
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8 - MacNab
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9 - MacQuarrie
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10 - MacPherson
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11- MacLachlan
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12 - MacLaurin
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13 - Sutherland
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14 - MacIntire
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15 - MacMillan
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Gravuras editadas no ano de 1845
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(Artista: Robert Ronald McIan)
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Scotland The Brave:
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sábado, 22 de maio de 2010

Crise e Aparências...

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"(...) Temos "benfeitores", sem obra social que se conheça, mas cujas Fundações o Estado ou o Governo cumulam de gentilezas e facilidades.
Temos respeitados "empresários", cuja fortuna começou no desvio de dinheiros europeus e acabou nas offshores do costume, que o poder distingue e apoia.
Temos "produtores" artísticos que só produzem quando subsidiados, que a crítica venera e o público despreza.
Temos "agricultores" que trocaram os tractores por Mercedes topo-de-gama e as culturas tradicionais por regadios de golfe.
Temos uma quantidade de "mestres" e até professores universitários formados em Universidades de vão de escada e agora até um rol de "doutores enfermeiros", reivindicando a equiparação salarial correspondente ao seu estatuto "académico".
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E o que tem tudo isto a ver com a crise financeira que vivemos?
Nada ou tudo.
Depende da perspectiva com que olhamos as coisas: um país que se contenta com as aparências, que toma por genuíno o que não passa de oportunismo, que não escrutina o mérito nem questiona socialmente os pantomineiros, está condenado ao fracasso.
Na economia, como no resto.
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Tal como na Grécia, o défice público e a dívida acumulada pelo Estado são o resultado directo de anos a fio de cedência a aparências, facilidades, reivindicações demagógicas e apoios não justificados.
Acham que alguém aprendeu a lição?
Não: leiam os blogues ou os comentários dos leitores de jornais - "eles", os sucessivos governos, é que nos desgovernaram; "nós", o bom povo, nada fizemos para merecer esta catástrofe.
É verdade, sim, que eles nos desgovernaram, mas em obediência à vontade do bom povo e porque ceder à demagogia e à facilidade vale muitos votos.
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Os enfermeiros querem ser doutores?
O Governo cede.
Os professores querem ser todos classificados com "muito bom"?
A oposição aplaude e o Governo rende-se.
O Ministério Público quer ter o sagrado direito de trabalhar sem prazos e os venerandos conselheiros do Supremo querem-no limpar de processos, dificultando a possibilidade de recurso?
O Governo concorda.
Os militares, os polícias, os bombeiros, querem o "legítimo" direito de receber um subsídio de risco por fazerem aquilo para que foram contratados e treinados?
O Governo acha justo.
O dr. Madail quer dez novos estádios para um Europeu de futebol que até o Presidente Sampaio afirmou ser "um desígnio nacional"?
O país festeja - e já se candidata a um Mundial e suspira por uns Jogos Olímpicos.
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(...) A casa está a arder mas há quem ainda não tenha percebido.
Na semana passada, li neste jornal um extraordinário texto em que alguém tentava explicar que essa história do défice é uma invenção dos economistas e que o combate ao défice é um combate contra a economia - a velha tese de que "há mais vida para além do défice", essa fabulosa verdade política que nos trouxe até onde estamos.
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Chorem agora Granada caída para os sitiantes:
sem educar, sem seleccionar, sem premiar o mérito, sem denunciar os falsificadores, sem produzir, sem conseguir competir numa economia global, vivendo de subsídios à preguiça e de dívidas acumuladas, que mais vida tínhamos a esperar?" (*)
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(*) - Miguel Sousa Tavares – Uma Vida de Aparências - Expresso – Lisboa – 15 de Maio de 2010
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