domingo, 28 de fevereiro de 2010

Viva Zapata!

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Mataram Zapata
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"Aminatu Haidar.
Orlando Zapata.
Ela, uma activista sarauí de 44 anos, fez greve de fome num aeroporto espanhol, depois de ver a sua entrada em Marrocos recusada pelas autoridades locais e conseguiu, graças à atenção e pressão internacionais, regressar à sua terra e aos seus filhos;
ele, um activista cubano de 42 anos, morreu anteontem, após 85 dias de greve de fome na prisão.
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Sim: Zapata morreu.
Mas dele só soubemos o nome porque morreu.
Para ele não houve petições a circular no Facebook e entre as "personalidades" portuguesas e estrangeiras, mesmo se houve cartas e apelos do Movimento Republicano Alternativo (a que pertencia) e da Amnistia Internacional a alertar para a sua greve de fome e para os maus tratos e espancamentos de que era alvo. Merecia menos que Aminatu?
Cuba é menos cruel que Marrocos?
Ou faltaram os directos e as entrevistas e as fotografias e os artigos inflamados?
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Zapata foi preso em 2003 por "desobediência", "desrespeito" e "desordem pública" e condenado a 25 anos.
Os seus "crimes" dizem tudo por ele.
Tudo sobre a atrocidade da sua morte e tudo sobre o obsceno regime cubano - um regime que continua a merecer o beneplácito e a bonomia de tanta gente que não hesitou em pôr o seu nome na lista pela "libertação" de Aminatu mas que de Orlando não sabe "o suficiente".
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Eu, pelo contrário, sei pouco sobre Aminatu e sobre o Sara e Marrocos (deveria saber mais, decerto) mas sei o que é preciso sobre um regime do qual tanta gente diz "não é assim tão mau".
Um regime envolto na mitificação romântica dos heróis de uma esperança massacrada e nas suas imagens épicas, recortadas em multidões empolgadas e em frases grandiosas que só sabem a mágoa.
Um regime horripilante de verdugos charmosos.
Um regime onde se usa sobre pessoas uma palavra que pensei, depois do fim da ditadura portuguesa, nunca mais ouvir ao vivo: "subversivo".
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"Esse indivíduo é um subversivo", disseram-me dois polícias a propósito de um rapaz de 19 ou 20 anos, filho de um veterinário, que tanto me seringara na rua que, inexperiente repórter por quatro dias na Havana de 1991, lhe oferecera um jantar na Bodeguita del Medio, o restaurante "de Hemingway", e que o prenderam (prenderam!) à saída porque "é proibido os cubanos falarem com turistas".
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Um regime que fez de um país bonito de gente bonita, praias bonitas, calor, rum e charutos uma coisa única, uma espécie de museu-prisão das revoluções traídas da América do Sul, das utopias "generosas" das esquerdas europeias.
Um cenário de inesgotável nostalgia e amargura, sim, bom para fotografias e documentários.
Mas onde se morre por "desobediência".
Cuba é uma ditadura, os Castro são criminosos e Zapata foi assassinado. Outra vez." (*)
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(*) - Fernanda Câncio - "Mataram Zapata" - Diário de Notícias - Lisboa - Portugal - 26-Fevereiro-2010.
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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Filipa de Lancaster, Rainha de Portugal - A Mãe da Ínclita Geração (1359-1415)

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Filipa de Lancaster (1359-1415) (retrato imaginário)
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Nota Prévia - Filipa de Lancaster, inglesa, foi filha de Blanche de Lancaster e de John de Gaunt, duque de Lancaster (filho do rei inglês Edward III).
Nasceu em 1359 e faleceu em 1415.
Casou em 1387 com D. João I, rei de Portugal, fundador da 2.ª Dinastia (a de Avis).
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Foi mãe da Ínclita Geração, expressão devida a Luís de Camões: D. Duarte (sucessor de João I), Infante D. Henrique (alma dos Descobrimentos Portugueses), D. Pedro (regente, após a morte do irmão Duarte), D. João (avô da rainha Isabel, a Católica, de Castela), D. Fernando (o Infante Santo, que morreu prisioneiro dos Muçulmanos em Tânger) e Isabel (que casaria com Filipe, o Bom, duque da Borgonha).
Faleceu de peste, às vésperas da partida do marido e dos filhos para o ataque a Ceuta, no Norte de África, que marcou o início da expansão ultramarina portuguesa (1415).

Júlio Dantas (1876-1962), que na Cultura Portuguesa foi muito mais do que aquilo que dele se guardou no famoso Manifesto Anti-Dantas (de Almada Negreiros), traçou desta inglesa, rainha de Portugal, o seguinte retrato:
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“Reflexiva, serena, cheia de pudores e de escrúpulos, decerto feia, a julgar pela estátua do túmulo e pelo silêncio de Fernão Lopes, Filipa de Lancaster entrou na corte portuguesa em circunstâncias que deviam ter ferido o seu natural orgulho de mulher.
D. João I, comprometido já pela letra dum contrato, demorava propositadamente, sob todos os pretextos, a realização do seu casamento. Carácter torcido, espírito interesseiro, tortuoso, cheio de cautela e de simulações, ele reconsiderava e desculpava-se com o facto de ser cavaleiro professo e de não poder contrair matrimónio sem dispensa da Cúria Romana.

Mas o Duque de Lancaster, mais prático, cortou todas as hesitações por uma resolução imprevista: mandou a filha para o Porto, onde estava o rei, acompanhada do bispo de Acres e do confessor.
Ali se conservou a noiva ainda muitos dias, sem que o rei procurasse ao menos vê-la. Por fim, lá se resolveu: trocaram as jóias e casaram.
Os princípios não podiam considerar-se auspiciosos.
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D. João I, rei de Portugal, fundador da Dinastia de Avis (1357-1433)
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Mas, passado pouco tempo, tudo mudou.
Essa pobre mulher de quase trinta anos, sem prestígio e sem beleza, amortalhada em grandes dobras hirtas de pano de oiro, atravessando o paço sempre de olhos baixos, cheia de doçura e de tranquilidade, mas possuindo a terrível energia de certas criaturas aparentemente passivas, dominava inteira e absolutamente o rei.
Algum tempo ainda – e estava também dominada a Corte.
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Foi uma conquista palmo a palmo, feita com um singular poder de sugestão, de infiltração, sem exaltações, sem violências, não perdendo um momento a sua impassibilidade, as suas atitudes de figura gótica, os seus movimentos sóbrios, a sua doçura incomparável.
Bastava um volver daqueles olhos azuis e frigidíssimos: adivinhavam-na.
A maior força de Filipa estava no seu exemplo, na sua fundamental e indestrutível virtude. Quase insensivelmente, a corte de D. Fernando (o rei anterior, meio irmão de João I) converteu-se na corte de Filipa de Lancaster – uma corte severa, casta, metódica, onde não se casava por amor mas sim por ordem da rainha, e onde os negócios do sentimento se regulavam à inglesa, simplesmente, praticamente.
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Antes dela, já D. Pedro I (pai de João I) pretendera moralizar – mas moralizara à bruta, fazendo justiça de epiléptico, gaguejando impropérios contra as alcoviteiras, enforcando, azorragando bispos, ensanguentando as suas próprias mãos. Passado o primeiro momento de terror, ele tinha de novo em volta de si a mesma corte de devassos, e – pior ainda – era ele próprio o mais devasso de todos.
Um desgraçado como D. Pedro não moraliza: quando muito, assassina.
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Filipa de Lancaster, não. Tinha por si a força do seu exemplo e da sua virtude. Os seus processos eram, pelo menos aparentemente, mais suaves. Sempre cheia de doçura, de serenidade, os olhos baixos, o simbólico pilriteiro de oiro bordado no oral de seda.
Não demolia, edificava; não mandava matar, mandava casar.
Quando menos o esperava, um fidalgo solteiro, com moradia no Paço, recebia ordem terminante da rainha: “prepare-se para casar amanhã”.
Não sabia como, não sabia com quem – mas obedecia.
No dia seguinte, estavam casados.
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Casamento de João I com Filipa de Lancaster (Porto - Portugal - 1387)
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Ninguém se insurgia, ninguém arriscava uma palavra.
E, não obstante, D. Filipa cometia a maior das violências; ia de encontro ao que há de mais íntimo, de mais sagrado no sentimento humano; de encontro à corrente emancipadora das novelas do Ciclo Bretão, que exaltavam, com Tristão e Isolda, a liberdade do amor; de encontro às próprias tradições; de encontro ao que desde antiga data se achava expresso nas leis do reino.
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Uma velha lei de Afonso II estabelecia que nem ele nem os seus sucessores poderiam constranger alguém ao casamento.
A legislação era clara.
A rainha sabia bem tudo isto, consultara sobre o caso todos os capelos vermelhos da corte, o seu companheiro e mestre Roberto Paíno, o seu confessor, os seus frades.
As opiniões dividiam-se, as consultas discordavam, folheavam-se cânones, invocavam-se doutores da Igreja – e, entretanto, Filipa de Lancaster, fixando nos bispos e nos prelados os seus olhos azuis impassíveis, continuava a mandar casar, sistematicamente, inflexivelmente – como D. Pedro mandava matar.
E a moralidade voltou – e a revolução fez-se.
.Sentia-se, dia a dia, a influência dessa prodigiosa criatura sobre os costumes e sobre o modo de viver na corte e fora dela.
Os fidalgos passaram a ouvir missa, a jejuar, a confessar-se, deixaram-se de freiras e de judias, nunca mais se jogou nas varandas do Paço, nunca mais se viu um escudeiro bêbedo.
Dentro de poucos anos, a grave princesa normanda, a despeito da sua placidez, da sua impassibilidade, da sua candura, do seu ar de figura primitiva, com os olhos baixos, as mãos cruzadas, a roupa em grandes dobras solenes de pano de oiro, aparentemente frágil, passiva, insignificante -, tinha edificado uma corte nova sobre aquela ruína de adultérios, de infanticídios, de incestos e de violações que era a sociedade portuguesa no fim do século XIV.
A honra desse renascimento pertence-lhe exclusivamente a ela." (*)
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Túmulo de João I e de Filipa (Mosteiro da Batalha, Portugal)
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(*) - Júlio Dantas, Portugal (1876-1962).
Extraído do livro: Outros Tempos - Inquéritos Médicos às Genealogias Reais Portuguesas - Avis e Bragança, publicado em 1909 pela Editora Portugal-Brasil.
Júlio Dantas foi sócio efectivo da Academia das Ciências de Lisboa e membro da Academia Brasileira de Letras.
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Grandes Quadros (Frans Hals)

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Isabella Coymans
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Frans Hals - Holanda (1580-1666)
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(Clicar na imagem para ampliar)
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Madeira - Portugal

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O que aconteceu ontem é simples de dizer e doloroso: aconteceu uma tragédia a Portugal.
Morreram portugueses.
Campos nossos foram arrasados.
Pequenas vilas ficaram isoladas.
Uma nossa cidade, por sinal a mais bela cidade de Portugal, foi invadida por lama.
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Janelas debruadas como há séculos os portugueses sabem fazer e espalham pelo mundo fora (Lubango, São Luís do Maranhão, Honolulu...) - e quem mais as espalhou foram os filhos desta cidade, e fizeram delas uma marca de Portugal -, janelas dessas, foram afogadas pelas enxurradas.
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Nessa nossa cidade de telhados vermelhos, paredes brancas e persianas verdes, ontem era tudo cinzento e castanho, da montanha ao mar.
As torres-vigias que em tantas casas se erguem para espreitar o mar, de onde chegavam os corsários e por onde partiam os mais cosmopolitas de nós, surpreenderam-se, porque, ontem, o que acontecia vinha do lado contrário.
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Esse nosso pedaço de Portugal é pequeno e aos seus rios chama ribeiras, nome dramaticamente irónico, ontem, tal a força das águas revoltas que carregaram automóveis até à baía.
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Aquele nosso Portugal tem nome próprio, aqueles nossos portugueses têm um nome particular, uma fala particular, aquela nossa bela cidade tem nome - mas hoje só me apetece dizer o essencial: estou a falar de nós.
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Ferreira Fernandes - Diário de Notícias - Lisboa (21 de Fevereiro de 2010)
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Livros - "O Talismã" (Walter Scott - Escócia)

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“O sol abrasador da Síria não atingira ainda a sua máxima altura quando um guerreiro, exibindo a Cruz Vermelha, que abandonara a sua longínqua pátria do Norte para se reunir às hostes dos Cruzados da Palestina, atravessava vagarosamente a extensa planura de areia, situada próximo do Mar Morto ou Lago Asiático, onde as águas do Jordão se precipitam como num mar interior.
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Durante as primeiras horas do dia o cavaleiro peregrino transpusera precipícios e desfiladeiros escarpados, entrando por fim numa planície onde outrora se erguiam as cidades amaldiçoadas que tinham chamado sobre si a cólera do Todo-Poderoso.
A fadiga, a sede, os perigos de toda a espécie, vencidos durante o caminho, tudo o cavaleiro esqueceu quando recordou a tremenda catástrofe que convertera em árida planície o fértil e formoso vale de Sodoma, outrora banhado por águas frescas e abundantes como o Jardim do Senhor, agora reduzido a deserto árido, requeimado pelo sol, condenado à eterna esterilidade.
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O cavaleiro fez o sinal da Cruz mal avistou a massa sombria das águas, tão diferentes na cor e no aspecto das dos outros lagos, e estremeceu ao recordar que, sob a toalha imóvel e glauca, se encontravam as cidades que, em tempos remotos, se haviam erguido na planície, orgulhosas e imponentes.
Cavara-lhes a sepultura o raio caído do céu, ou, quem pode sabê-lo, a súbita erupção do fogo subterrâneo. Mas, de qualquer forma, jazem no fundo desse estranho mar - que não consente peixe no seu seio nem barco algum à superfície, e que, como se as suas águas maléficas não admitissem outro berço senão o seu leito negro, não paga o seu tributo ao oceano.
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Em volta, tal como nos tempos de Moisés, a terra não é mais do que enxofre e sal. Não aceita sementes, não produz nem sequer uma ervinha. E, tal como a água do lago, essa terra bem se pode chamar morta, porque, além de estéril, até a própria atmosfera parece abandonada pelos seus habitantes naturais, e as aves não cortam o espaço em voos elegantes nem o enchem com harmoniosos cantos.
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O sol brilhava sobre esta cena de desolação, atormentando-a com um calor quase intolerável, e toda a Natureza - tudo quanto tinha um sopro de vida - se escondia, esquivando-se aos seus raios ardentes, excepto a figura isolada que pisava as areias movediças do deserto, e dir-se-ia o único ser vivo na imensa planície. (…)”
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Walter Scott - Escócia (1771-1832)
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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Poema para Galileu (António Gedeão - Portugal)

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Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
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Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileu! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios).
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Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.
Lembras-te?
A ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… Eu sei…
As margens doces do Arno
às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileu Galilei!
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Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita
num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.
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Eu queria agradecer-te, Galileu,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar
(que disparate, Galileu!)
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação -
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.
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Pois não é evidente, Galileu?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa
ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.
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Estava agora a lembrar-me, Galileu,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos,
hirtos,
de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
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Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível
que um homem da tua idade
e da tua condição,
se estivesse tornando num perigo
para a Humanidade
e para a civilização.
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Tu, embaraçado e comprometido,
em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.
Teus olhos habituados à observação dos satélites
e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas
(parece-me que estou a vê-las),
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
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E tu foste dizendo a tudo que sim,
que sim senhor,
que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado
e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite
louvores à harmonia universal.
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E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo,
na própria intimidade do teu pensamento,
(livre e calma),
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e escrevias
para eterna perdição da tua alma.
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Ai, Galileu!
Mal sabiam os teus doutos juízes,
grandes senhores deste pequeno mundo,
que assim mesmo,
empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
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Tu é que sabias, Galileu Galilei.
Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer,
homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
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Por isso, estoicamente,
mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias,
a todos os contratempos,
enquanto eles,
do alto inacessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa dos quadrados dos tempos.
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António Gedeão - Lisboa, Portugal (1906-1997)
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Oiça este poema dito por Mário Viegas.

Aqui --> http://www.youtube.com/watch?v=bbxT3N6z3hU

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Túmulo de Galileu Galilei (Florença - Itália)
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Momentos...

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A pequena bailarina do avô
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Norman Rockwell - Capa do Saturday Evening Post - 1923
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(Clicar na figura para ampliar)
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

"Gil Eannes" - O "Navio-Mãe da Frota Branca" Resistiu!

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Há mais ou menos trinta anos, na década de 1980, o outrora magnífico Gil Eannes jazia como podem ver acima, defronte da cidade de Lisboa.
Andava errante e escorraçado, de sítio em sítio, imprestável, abandonado, aparentemente condenado a um fim indigno da meritória carreira que construíra em mares longínquos - entre gelos mortíferos, tempestades tropicais e gente remota …
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O Gil Eannes caía literalmente aos pedaços, enferrujando centímetro a centímetro as suas insígnias, o seu casco lendário e os seus interiores, que tinham salvo vidas e abrigado sonhos.
Como um fardo inútil, foi sendo empurrado de cais em cais, até se imobilizar no Cais da Rocha, onde o venderam, para abate, à empresa Baptista & Irmãos, Lda.
O Gil Eannes, exausto, estava, de facto, à beira do fim, sentenciado a desaparecer de vez sob a investida das máquinas trituradoras dos sucateiros…
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O Gil Eannes actual (ancorado no porto de Viana do Castelo - Portugal) (1)
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Até que ocorreu o milagre!
Salvo pela gratidão e pela sensibilidade das pessoas, o navio estava já em Alhos Vedros quando a Comissão Pró Gil Eannes o foi buscar para ser rebocado até aos estaleiros de Viana do Castelo, no Norte de Portugal, onde ele nascera em 1955.
Aí o recuperaram, milímetro a milímetro, peça a peça, memória a memória. Insuflaram-lhe a vida antiga, tornando-o de novo altivo e acolhedor como sempre fora.
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O Gil Eannes actual (ancorado no porto de Viana do Castelo - Portugal) (2)
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A Comissão deu entretanto lugar à Fundação Gil Eannes, actual proprietária do navio.
E este, ancorado no antigo porto comercial de Viana do Castelo, tornou-se num Museu flutuante, que abriu as portas ao público em Agosto de 1998 (pode ser visitado nos horários que abaixo se indicam).
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As antigas enfermarias, de que o Gil Eannes dispunha, foram recuperadas por forma a poderem transformar-se numa Pousada da Juventude, com 65 camas disponíveis e uma acolhedora sala de convívio (serviço concessionado à Movijovem).
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O Gil Eannes actual (ancorado no porto de Viana do Castelo - Portugal) (3)
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Um Pouco de História
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O Gil Eannes foi construído nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (Portugal).
Pronto em 1955, constituiu sem dúvida o maior desafio que até então se colocara à empresa desde o início da sua actividade, onze anos antes.
Foi projectado pelo Eng.º Vasco Taborda Ferreira para ser um navio-hospital de apoio à frota bacalhoeira portuguesa que operava nos distantes mares do Norte, nas águas da Gronelândia e da Terra Nova.
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Casa do leme (1)
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O Gil Eannes, na sua primeira viagem (1955), iria assistir uma frota pesqueira de 70 unidades, com um total de tripulações que ultrapassavam os 5000 homens.
Repetiria a missão, com imenso mérito, nos 18 anos seguintes, acabando por tornar-se conhecido, entre os que apoiava, pela gloriosa e significativa designação de Navio-Mãe da Frota Branca.
Também lhe chamavam a Misericórdia do Mar.
Muito justificadamente, tais eram as condições de indizíveis dificuldades que padeciam os nossos pescadores nessas águas impiedosas.
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Casa do leme (2)
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O Gil Eannes era, pois, um hospital flutuante. Mas não se reduzia a isso, como iremos ver.
Tinha um comprimento total de 98,40 metros, uma boca de 13,70 m e um calado de 5,50 m.
Possuía dois motores, que lhe podiam dar uma velocidade de 14,3 nós.
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Estava equipado com dispositivos contra incêndios, de que se destaca um sistema automático de inundação por meio de chuva, e um outro para alagamento dos porões de carga com gás carbónico, tudo associado a um equipamento de detecção de fumos.
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Possuía ainda um sistema de ventilação bastante evoluído, com uma caldeira que permitia uma temperatura ambiente de 18º C.
O casco estava reforçado para a navegação em mares com gelo.
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Casa das máquinas - O coração do navio (1)
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Composto por 3 pavimentos devidamente apetrechados para todas as situações hospitalares, a sua capacidade permitia-lhe receber, em condições de normalidade, até 70 doentes.
No primeiro pavimento estavam instalados os gabinetes de consulta e de radiologia, apetrechados com o material mais moderno da época.
Dispunha de salas de espera e tratamento, câmara escura, enfermarias completamente isoladas para doentes infecto-contagiosos, camarotes para dois médicos, capelão e biblioteca.
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Casa das máquinas - O coração do navio (2)
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No segundo pavimento ficavam uma enfermaria para oficiais, outra para doentes em observação, com os respectivos serviços sanitários, e a enfermaria geral com 40 camas separadas por divisórias, servidas por largas janelas que davam a possibilidade aos doentes de assistirem dos seus leitos à celebração da missa.
Este pavimento dispunha também dos alojamentos dos enfermeiros, sala dos curativos e gabinete do enfermeiro de vela.
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Casa da rádio - TSF
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No terceiro pavimento localizava-se o bloco operatório e de ortopedia, constituído por ampla sala de operações, apetrechada do necessário material, salas de desinfecção e esterilização, gabinete de agentes físicos e laboratório de análises.
Os três pavimentos ligavam-se por amplas escadas e elevador com maca para transporte de doentes.
Em eventual situação de emergência, a lotação do navio podia ser “esticada” até aos 320 doentes.
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Consultório médico
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O Gil Eannes dispunha de local de culto.
Para além da capela da enfermaria, possuía uma capelinha que abria a toda a largura da tolda, onde sobressaía um artístico painel a óleo, da autoria do pintor Domingos Rebelo, representando ao centro Nossa Senhora dos Mares e tendo aos lados um pescador e um grupo familiar.
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Sala de operações
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A assistência prestada pelo navio era magnífica e totalmente gratuita.
Se o enfermo fosse pescador de um navio de pesca à linha, recebia como pagamento, durante o período de internamento, uma quantia calculada segundo a média capturada pelos companheiros do navio a que pertencia.
Os cuidados humanitários eram prestados aos pescadores (e demais tripulantes) de qualquer navio que actuasse naquelas paragens da Terra Nova e da Gronelândia, fossem eles espanhóis, franceses, italianos, alemães, russos, ingleses ou das Ilhas Faroé…
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Sala de esterilização
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Embora concebido e preparado como navio-hospital, o Gil Eannes foi “pau para toda a obra”.
Actuou como navio-capitania (com um oficial da Marinha de Guerra a bordo, o qual, no desempenho de funções de Capitão do Porto, tratava dos casos de (in)disciplina relativos a todas as tripulações da frota pesqueira nacional).
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A vida a bordo dos navios da frota pesqueira era muito difícil, quase sempre penosa.
Os momentos de lazer – nas poucas horas que sobravam entre o sono, a pesca e o amanho do bacalhau – passavam-se vendo filmes e jogando as cartas.
Uma rara distracção era uma visita a St. John’s, onde as populações terranovenses acarinhavam esses sacrificados do mar que eram os nossos pescadores.
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Cozinha
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O Gil Eannes funcionou também como navio-correio, recebendo e distribuindo as correspondências e encomendas dos homens da frota.
Em cada campanha manuseava-se a bordo cerca de um milhar de encomendas recebidas em Lisboa para os navios e suas tripulações e encaminhavam-se de setenta a oitenta mil cartas trocadas entre os pescadores e seus familiares.
Por vezes juntavam-se a bordo, para serem seladas, três a quatro mil cartas e tornavam-se necessários bastantes voluntários para ajudar o tripulante encarregado de tal serviço.
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Padaria
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O Gil foi ainda navio-abastecedor.
Os serviços de abastecimento aos navios da frota pesqueira eram efectuados sob as mais variadas condições de tempo e mar.
Durante a campanha distribuíam-se por esses navios cerca de 2000 quilos de isco congelado. Também se forneciam 400 toneladas de água potável e 250 toneladas de combustível.
Recebiam-se em terra e entregavam-se aos navios, nos seus locais de pesca, cerca de 90 toneladas de mantimentos e largas centenas de redes e malhas.
Desde equipamentos e farmácias, desde reparações eléctricas até reparações electrónicas – de tudo se fazia para facilitar a vida aos nossos pescadores.
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Sala de reuniões
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Outras meritórias funções do Gil Eannes: trabalhou como rebocador, salva-vidas e navio quebra-gelos. Quando um dóri ficava encalhado no gelo, o Gil seguia para o local, quebrando o gelo com o seu casco de aço, e abria o sulco de retorno ao barco sinistrado.
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Merece realce a assistência prestada ao navio Rio Antuã, que metia água pela proa. O Gil Eannes navegou cerca de 14 horas à frente do barco sinistrado, quebrando com a força das suas duas máquinas a muralha de gelo que lhe surgia pela frente e permitindo assim, em condições excepcionais, que o Rio Antuã chegasse a St. John’s sem novidade de maior.
Por tudo isto lhe chamavam o Navio-Mãe da Frota Branca.
E, também, a Misericórdia do Mar.
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Tempos de outrora - O Gil Eannes em alto-mar
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O Gil Eannes foi envelhecendo… Os tempos tornaram-se outros, com aquisições directas de bacalhau à Islândia e à Noruega.
A derradeira viagem do navio à Terra Nova ocorreu em 1973.
Ainda nesse ano fez uma viagem diplomática ao Brasil
Mais tarde rumaria à Noruega para de lá trazer bacalhau fresco nas suas câmaras de frio.
Também ajudou a trazer refugiados de Angola…
Depois foi sendo empurrado de cais em cais, como um objecto inútil.
Até que foi salvo, para nosso contentamento, por gente de engenho e coração...
O Gil Eannes resistiu!
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Tempos de agora - O Gil Eannes ao anoitecer de Viana do Castelo
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Visitas
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Horário:
Verão (de Abril a Setembro) das 9h00 às 19h00
Inverno (de Outubro a Março) das 9h00 às 17h30
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Aberto a visitas todos os dias incluindo sábados, domingos e feriados.
Preço:
Adultos e crianças com mais de 6 anos - € 2,00
Crianças com idades até aos 6 anos - Grátis
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O Gil Eannes como Pousada da Juventude
Camarote Duplo - de 22 € a 24 € por dia, consoante a época do ano
Camarote individual - 16 € durante todo o ano
Quarto múltiplo - 9 € a 10 € consoante a época do ano
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Reservas
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Navio Gil Eannes
+ 351 258 821 582
Central de reservas - 707 20 30 30
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Fontes do texto:
Arquivos da Torre
Mário Esteves (comandante do Gil Eannes entre 1959 e 1971)
Brito Ribeiro
Alberto Abreu
Fundação "Gil Eanes"
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Fotos:
Clube de Oficiais da Marinha Mercante
Pedro Prata
Rosa Pereira
Brito Ribeiro
Dias dos Reis
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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Poeminhas Satíricos - "Um Salão" (Garcia Monteiro)


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Às discretas soirées de D. Amália Costa
não vai o que em geral se chama gente baixa;
esta senhora tem sangue fidalgo e gosta
de conservar-se em pé na altura em que se acha.
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É tal a selecção que há quem se zangue.
O festejado poeta Aurélio Câncio Rosa
disse já: «Na questão da análise do sangue...
Oh!... É uma senhora extra-escrupulosa!»
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A alguém disse ela um dia: «Hoje um simples artista
quer ser gente também. Ah! creia que me exalto
quando vejo um ninguém a erguer-se, a dar na vista,
tendo o arrojo de usar bengala e chapéu alto!»
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E os seus olhos aqui tornaram-se fosfóricos.
Ora é fácil de ver por semelhantes falas
que só o que possui pé nobre, pés históricos,
é que pode pisar o chão das suas salas.
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Ali vai, por exemplo, o senhor João Proença,
que é barão e será visconde qualquer dia;
homem que às vezes sente uma tristeza imensa
por ter sido alfaiate — um erro que ele expia.
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Ali vai o Liró, de esplêndidas maneiras,
cuja profundidade em ciência de minuete
iguala a vastidão das suas algibeiras,
que levam de ordinário o resto do bufete.
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Ali vai Câncio Rosa, um vate de alto apreço,
que as damas têm à mão para inventar alcunhas;
mas sempre triste em verso... Um luto! Não conheço
luto mais negro; passa ao colarinho e às unhas.
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Consta que no final duma recitação
em que exaltara o mar, «gigante d'ais tamanhos»
perguntou-lhe uma velha em tom de admiração:
«Se o senhor ama o mar, porque não toma banhos?»
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Ali vai o senhor Mateus do Nascimento,
depositário fiel, seguro, de tal brio,
que deram-lhe a guardar um certo testamento
e ele fê-lo tão bem que ninguém mais o viu.
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Ali vai o major Espadas, um valente,
homem cujo valor tem suscitado invejas,
pronto sempre a bater-se. E ao chá? Façam-lhe frente
Que bravura! É um herói no assalto das bandejas.
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Vão outras damas mais de igual merecimento,
a quem se pede à vez «que a festa solenizem»:
E cada qual então, puxando o seu talento,
apresenta o que sabe. E que talentos! dizem.
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Produz-se a animação assim desde o começo;
Marca as danças Liró; Espada dá notícias;
toma-se um rico chá, de que se diz o preço...
Umas noites enfim de poéticas delícias.
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Não é pois de admirar a roedora inveja
que existe. Câncio então, no Liberal do Pinto,
dá notícia; e conclui: «Inútil talvez seja
dizer que ali só vai o que há de mais distinto».
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Garcia Monteiro (1859-1913)
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(Horta, Açores, Portugal)
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sábado, 13 de fevereiro de 2010

D. Teresa, mãe do 1.º rei de Portugal (c. 1080-1130)

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Retrato imaginário de D. Teresa
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Filha natural de D. Afonso VI, rei de Leão e Castela, e de D. Ximena Muniones, ou Nunes.
Ignora-se a data do seu nascimento, calculando-se que este tenha ocorrido cerca do ano de 1080. Faleceu em 1130, por volta dos cinquenta anos.
Casou com D. Henrique de Borgonha, chegado à Península Ibérica para auxiliar o rei de Leão nas lutas da reconquista contra os Mouros. Por tal facto, foi concedido a Henrique o Condado Portucalense, que se tornou no território original de Portugal.
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D. Teresa foi mãe do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, que nasceu em Guimarães, cerca de 1109 (?), tendo falecido em 1185.
Não é fácil determinar com precisão os contornos do Condado Portucalense.
Do lado ocidental, sabe-se que ia desde o rio Minho até ao rio Tejo.
Quanto à fronteira oriental, e ao norte do Douro, estendia-se entre a Terra de Panóias e a de Bragança; ao sul do Douro, ia de Lamego ao Côa, devendo seguir uma linha próxima do que é hoje a fronteira portuguesa.
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Retrato imaginário do conde D. Henrique, marido de D. Teresa
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Quando o conde D. Henrique morreu, em Astorga (1112), tomou D. Teresa a regência do condado sem grande dificuldade, o que prova o carácter hereditário do mesmo. Embora se não conheça qualquer documento probatório, aceita-se que D. Henrique a escolheu para governar na menoridade do filho D. Afonso Henriques.
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A confiança ilimitada em Fernão Peres de Trava, representante da fidalguia galega, afastou de D. Teresa os poderosos barões portucalenses, que se associaram em torno do jovem D. Afonso Henriques no sentido da independência do território (em relação a Leão e Castela).
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D. Afonso Henriques armou-se a si próprio cavaleiro, em Zamora (1125). O seu primeiro acto militar rumo à independência aconteceu em 1128, junto a Guimarães, quando venceu a batalha de S. Mamede contra as forças de sua mãe, D. Teresa, coligada com os fidalgos galegos (chefiados por Fernão Peres de Trava). Nas forças de Afonso Henriques prevaleciam os minhotos e os beirões.
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D. Teresa (a quem aliás a independência de Portugal muito deve) refugiou-se depois da batalha de S. Mamede em terras da Galiza, provavelmente na companhia de Fernão Peres de Trava.
Tendo falecido em 1130, o seu corpo seria trasladado para Portugal.
Repousa na Sé da cidade de Braga, na Capela dos Reis, ao lado do túmulo de seu marido, o conde D. Henrique.
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O castelo de Guimarães (Portugal)
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Um texto de Alexandre Herculano sobre D. Teresa
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“Os escritores modernos, empenhados em salvar a reputação moral de D. Teresa como mulher, esqueceram-se de lhe fazer justiça como rainha ou regente de Portugal.
Tem-se dissertado largamente sobre o seu consórcio com o conde Fernão Peres de Trava, que nada nos autoriza a admitir, enquanto o valor histórico do seu governo é perfeitamente desprezado.
Todavia, durante catorze anos, os actos da viúva do conde D. Henrique mostram bem a perseverança e a destreza com que buscou desenvolver e realizar o pensamento de independência que ele lhe legara.
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D. Teresa e D. Henrique, titulares do condado Portucalense
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Cedendo à força das circunstâncias, não duvidava de reconhecer a supremacia da corte de Leão para obter a paz quando dela carecia, salvo o recusar a obediência quando cria possível resistir.
Associando-se habilmente aos bandos civis que despedaçavam a monarquia leonesa, ia criando no meio dela, para si e para os seus, uma pátria.
Apesar das invasões de cristãos e sarracenos e das devastações e males causados por uns ou por outros nos territórios dos seus estados, estes cresceram em população, em riquezas e em forças militares.
Pelas armas e pela política aumentou a extensão dos próprios domínios ao oriente e ao norte, conservando ao sul a linha das fronteiras que seu marido já lhe deixara encurtadas.
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D. Afonso Henriques, 1.º rei de Portugal
(Filho de D. Teresa e de D. Henrique)
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O castigo de um erro, que, medido pelos costumes do tempo, estava longe de ser imperdoável, parece-nos demasiado severo, e o procedimento dos barões portugueses para com ela merecerá dos prevenidos a imputação de ingrato.
D. Teresa foi vítima de um sentimento nobre em si, mas às vezes excessivo e cego, que ela tinha feito crescer, radicar-se, definir-se, e que serviu de pretexto de rebeldia à ambição de Afonso Henriques, ou antes: à daqueles que por meio do inexperiente príncipe esperavam melhor satisfazê-la.
Este sentimento era o da nacionalidade.”
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(Alexandre Herculano – História de Portugal – Tomo II – 9.ª edição – pág. 130-132).
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Bandeira do conde D. Henrique e 1.ª bandeira do reino de Portugal
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NOTA ADICIONAL - Datas relevantes da independência de Portugal
(que não se reconduz a um acto único):
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a) 24 de Junho de 1128 – Portugal liberta-se face à Galiza – Batalha de S. Mamede, Guimarães.
b) 4 e 5 de Outubro de 1143 – Conferência de Zamora (Leão) - É reconhecido a Afonso Henriques, por Afonso VII de Leão e Castela, o título de Rei (ele já o usava, “internamente", havia cerca de três anos). Isto não significava, automaticamente, o reconhecimento da independência.
c) 13 de Dezembro de 1143 – Afonso Henriques escreve ao Papa e reconhece-se vassalo da Santa Sé (há nisto uma afirmação de libertação em relação a Leão). (Carta Clavis regni).
d) Reconhecimentos de Portugal pela Santa Sé – 1 de Maio de 1144 (carta Devotionem tuam) e 23 de Maio de 1179 (bula Manifestis probatum). Esta segunda é apenas a confirmação do reconhecimento anterior.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Grandes Quadros (Cont.)

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Mãe e Filhos
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Artistas: Aristogatos
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(Clicar na imagem para ampliar)
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Grandes Quadros (Pieter Grebber)

Mãe e Filho
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Pieter Grebber - Holanda (c. 1600-1652 ou 1653)
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(Clicar na imagem para ampliar)
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Ustedes y Nosotros (Mario Benedetti)

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Ustedes cuando aman
exigen bienestar
una cama de cedro
y un colchón especial.
Nosotros cuando amamos
es fácil de arreglar
con sábanas qué bueno
sin sábanas da igual.
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Ustedes cuando aman
calculan interés
y cuando se desaman
calculan otra vez.
Nosotros cuando amamos
es como renacer
y si nos desamamos
no la pasamos bien.
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Ustedes cuando aman
son de otra magnitud
hay fotos, chismes, prensa
y el amor es un 'boom'.
Nosotros cuando amamos
es un amor común
tan simple y tan sabroso
como tener salud.
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Ustedes cuando aman
consultan el reloj
porque el tiempo que pierden
vale medio millón.
Nosotros cuando amamos
sin prisa y con fervor
gozamos y nos sale
barata la función.
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Ustedes cuando aman
al analista van
él es quien dictamina
si lo hacen bien o mal.
Nosotros cuando amamos
sin tanta cortedad
el subconsciente piola
se pone a disfrutar
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Ustedes cuando aman
exigen bienestar
una cama de cedro
y un colchón especial.
Nosotros cuando amamos
es fácil de arreglar
con sábanas qué bueno
sin sábanas da igual.
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Mario Benedetti (Uruguai)
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(1920-2009)
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Vocabulário
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arreglar - dar um jeito
bienestar - bem-estar
bueno - bom
cortedad - timidez
chismes - mexericos
dictamina - opina
él - ele
hacen - fazem
interés - proveito
magnitud - importância
no - não
nosotros - nós
piola - liberta-se
pone - põe
prensa - imprensa
prisa - pressa
quien - quem
sábanas - lençóis
sabroso - saboroso
sale - sai
salud - saúde
ustedes - vocês
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