sábado, 23 de fevereiro de 2008

Pintores da Península Ibérica - (Portugal) - Roque Gameiro (1)

Volta do Mercado Saloio

Lisboa Velha - Beco dos Costumes

Fortaleza das Berlengas

Lisboa Velha - Rua das Farinhas

Em Almoçageme

Casa Rústica em Minde

Retrato da Filha do Artista - Raquel

Lisboa Velha - Casa no Largo do Menino Deus

Lavadeira

Avô - Domingo à Tarde

Retrato da Mãe do Artista

Lisboa Velha - Rua de S. Pedro
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Alfredo Roque Gameiro (Minde, 4 de Abril de 1864 - Lisboa, 5 de Agosto de 1935) foi um pintor português, especializado na arte da aguarela.
Estudou na Academia Nacional das Belas Artes, onde foi aluno de Manuel de Macedo, J. Simões de Almeida e Henrique Casanova. Frequentou também a Escola de Artes e Ofícios de Leipzig, como bolsista do governo português, onde estudou litografia com Ludwig Nieper. De regresso a Portugal, em 1886, dirigiu a Companhia Nacional Editora e em 1894 foi nomeado como professor na Escola Industrial do Príncipe Real.
Prémios
· Medalha de Honra de Mérito Municipal (Lisboa)
· 3ª medalha na 1ª Exposição do Grémio Artístico
· 1ª medalha em aguarela e em desenho no Grémio Artístico (1897-1898)
· Medalha de Honra na Sociedade Nacional de Belas-Artes (1910)
· Medalha de Ouro do Salon de Paris (1900)
· Grand Prix, na Exposição Internacional do Rio de Janeiro (1908)
· Medalha de Honra de 1ª classe na Exposição Internacional Comemorativa da Independência do Brasil.
· Eleito membro da Real Academia de Belas-Artes de S. Fernando, de Madrid (1923)

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Velha Poesia Árabe na Península Ibérica (VI) - (Ibn Hazm de Córdoba -2) - Ela

Quando a encontro
Agrada-me a conversa,
E sobe até mim
Um delicioso olor de âmbar.
Se ela fala,
Não atendo aos que estão ao meu lado
E escuto apenas as suas palavras
Agradáveis e graciosas.

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Ainda que estivesse
Com o Príncipe dos Crentes,
não me afastaria da minha amada
em atenção a ele.
Se me vejo forçado
A partir do seu lado,
Não páro de olhar para trás
E caminho como uma criatura ferida.
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Mesmo que o meu corpo se distancie,
Os meus olhos quedam presos a ela,
Como os do náufrago
perdido nas ondas,
contemplando a beira-mar.
Quando penso que estou longe dela,
Sinto que me afogo
como se respirasse
a poeira requeimada de sol.
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Se me dizem que é possível
Subir ao céu,
Eu digo que sim
E que sei
onde está a escada.
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(Ibn Hazm de Córdoba) (994-1064) (El Collar de la Paloma)

sábado, 9 de fevereiro de 2008

"O Mundo de Suzie Wong" - Uma Nancy Kwan Inesquecível

No início dos anos sessenta do século passado, uma jovem actriz oriental, filha de um chinês e de uma escocesa, dava-se a conhecer ao mundo pela mão do realizador Richard Quine.


O filme tinha por título "The World of Suzie Wong".
Ela era Nancy Kwan.

Trata-se da história simples, mas atribulada, de uma paixão. Mas existirão paixões simples?

Robert Lomax (William Holden), um maduro pintor americano, chega a Hong Kong e conhece, por acaso, a bordo de um barco, a jovem Suzie Wong (Nancy Kwan).

Ela é uma jovem ingénua e sonhadora, com uma misteriosa vida dupla passada nos bairros orientais da cidade.

A partir daí, desafiando convenções e preconceitos, começa a história de uma paixão. E a lenda de Suzie Wong. E, a partir de um desempenho espantoso, a imortalidade da belíssima Nancy Kwan.

Nancy Ka Shen Kwan (Nancy Kwan) foi a primeira actriz asiática a ter um sucesso notável no cinema ocidental. Ela nasceu em 19 de Maio de 1939, em Hong Kong, então uma florescente colónia britânica. O pai era um bem sucedido arquitecto chinês, Kwan Wing Hong, educado em Cambridge. A mãe era a modelo escocesa Marquita Scott.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Portugal - Pátria Mestiça

(Crónica de Baptista-Bastos, no Diário de Notícias de 17 de Abril de 2007)
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"Cada vez há mais estrangeiros a pedir a nacionalidade portuguesa.
Brancos, pretos, amarelos, castanhos, entre o loiro e o germânico, entre o glabro e o felpudo, eis uma sublevação de cores e de fácies; um bulício de idiomas que noivam o nosso idioma para exprimir a dor e o riso, a infância e a paixão, a lembrança e o sonho.
Tocaram no batente da casa comum à procura, afinal, do que comum é ao homem: um pouco de felicidade.
E deitam-se no mesmo leito onde, outrora, suevos e visigodos, fenícios e romanos, árabes e celtas procriaram os miscigenados que todos nós somos.
A sintaxe da nossa ascendência possui qualquer coisa de genial.
Não foi, somente, a delimitação do território que construiu uma pátria e moldou uma língua.
Também não foi, apenas, o ferro do montante que marcou uma identidade.
O que definiu o nosso destino foi a argila de um particular nativismo, nascido na cama do amor, no suor dos corpos, na festa do sexo.
Nascemos do prazer.
Saímos portugueses desse almofariz de raças, no entreacto de guerras e de confrontos políticos.
A negação da nossa mestiçagem configurará o assassínio da nossa identidade, e atribui a quem a pratica o estofo de um canalha.
Assim como o ódio exposto, arrogantemente, em placard, demonstra algo de doentio.
Somos uma nação de heterónimos, cheios de coragens e de cobardias, de mares e de corpos, de credos e de superstições.
Um pisar de caminhos antigos puxa-nos as pernas para o imponderável.
Fluxos de muitos sangues fazem pulsar o modo de como aqui estamos.
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Há um relatório, "Inter Lusitanos", endereçado a Nero por Políbio Garbus, poeta e procônsul romano, o qual nos retrata como gente estranha, imputando fraqueza de espírito a uma nossa particularidade: a indiferenciação fundamental dos indivíduos.
E adianta: o desdém pelas regras criou nos Lusitanos uma relativa igualdade de raças.
Para um patrício, educado numa sociedade extremamente hierarquizada, este modelo estava desprovido de lógica social, política e filosófica.
As coisas prosseguiram séculos atrás de séculos.
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Quando D. Manuel I manda proceder à matança de judeus, num domingo de Pascoela, a 19 de Abril de 1506, liquida a cultura de afectos e de livre partilha dos saberes até então simplificada no reconhecimento da alteridade.
Mas a História não pára o tempo que dentro de si acalenta.
Foi-nos legado um bragal aberto ao mundo, entre intimidades, solidões, angústias e despedidas.
Eis porque precisamos de todos os que nos procuram, porque sempre procurámos todos aqueles de que precisamos."
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(Baptista-Bastos - Diário de Notícias - Edição de 17 de Abril de 2007)

Ao Criador do Homem (Oração Antiga do Peru)



A aurora terrestre
veste-se de luz
para prestar homenagem
ao Criador do Homem.
Os altos céus
fazem correr as nuvens
e humilham-se
perante o Criador do Homem.
O Senhor das Estrelas,
nosso pai, o Sol,
espalha a sua cabeleira
aos seus pés.
O vento, por sua vez,
sacode o cimo das árvores,
agita os seus ramos
e verga-os até ao chão.
No coração das árvores
cantam os pássaros
e prestam homenagem
ao Senhor da Terra.
Todas as flores,
esplêndidas e belas,
se desdobram em cores
e em perfumes.
O fundo do lago,
um espelho de água,
é a morada feliz
dos peixes vivazes.
A forte torrente,
com a sua canção rouca,
canta os louvores
de Viracocha. (*)
E também o rochedo
se cobre de verdura
e, na ravina, a floresta
oferece as frescas flores.
E os habitantes da montanha,
o Povo das Serpentes,
a seus pés deslizam rápidos.
A vicunha no alto das montanhas,
a viscacha dos rochedos,
fazem os seus covis
à volta dele.
Também o meu coração,
em cada aurora,
te presta homenagem,
meu Pai, meu Criador.
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(*) - Viracocha - O principal deus dos Incas.
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(A Oração dos Homens - Uma Antologia das Tradições Espirituais - Editora Assírio & Alvim - Lisboa - 2006)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Cem Anos Depois do Dia da Vergonha (1 de Fevereiro de 1908 - 1 de Fevereiro de 2008) - Em Memória do Rei D. Carlos I e do Príncipe D. Luís Filipe





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A 1 de Fevereiro de 1908, no regresso de mais uma estadia em Vila Viçosa, o rei D. Carlos e o princípe herdeiro, D. Luís Filipe, são assassinados em pleno Terreiro do Paço, na volta para a rua do Arsenal. De um só golpe, Costa e Buiça decapitavam a monarquia portuguesa, deixando o trono nas mãos de um pouco preparado D. Manuel, sem capacidade nem margem de manobra para gerir uma situação política explosiva que culminaria com a queda da monarquia e a implantação da República a 5 de Outubro de 1910. A 21 de Maio de 1908, quase 4 meses após o regicídio, o já então rei D. Manuel II descreveu a forma como viveu este trágico acontecimento, sob o título de "Notas absolutamente íntimas", de que se apresenta o excerto que se segue. Logo após, anexa-se um pequeno texto sobre o reinado de D. Carlos I (publicado pela Fundação Mário Soares).
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«Há já uns poucos de dias que tinha a ideia de escrever para mim estas notas íntimas, desde o dia 1 de Fevereiro de 1908, dia do horroroso atentado no qual perdi barbaramente assassinados o meu querido Pai e o meu querido Irmão.
Isto que aqui escrevo é ao correr da pena, mas vou dizer franca e claramente, e também sem estilo, tudo o que se passou. Talvez isto seja curioso para mim mesmo, um dia, se Deus me der vida e saúde. Isto é uma declaração que faço a mim mesmo. Como isto é uma história íntima do meu reinado, vou iniciá-la pelo horroroso e cruel atentado.
No dia 1 de Fevereiro regressavam Suas Majestades El-Rei D. Carlos I, a Rainha, a senhora D. Amélia, e Sua Alteza o Príncipe Real, de Vila Viçosa. Eu tinha vindo mais cedo (uns dias antes) por causa dos meus estudos de preparação para a Escola Naval. Tinha ido passar dois a Vila Viçosa e tinha regressado novamente a Lisboa. Na capital estava tudo num estado de excitação extraordinária: bem se viu aqui no dia 28 de Janeiro, em que houve uma tentativa de revolução, a qual não venceu. (...). Meu Pai não tinha nenhuma vontade de voltar para Lisboa. Bem lembro que se estava para voltar para Lisboa 15 dias antes e que meu Pai quis ficar em Vila Viçosa. Minha Mãe, pelo contrário, queria forçosamente vir. Recordo-me perfeitamente desta frase que me disse na véspera ou no próprio dia em que regressei a Lisboa depois de ter estado dois dias em Vila Viçosa. "Só se eu quebrar uma perna é que não volto para Lisboa no dia 1 de Fevereiro".
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Melhor teria sido que não tivessem voltado, porque não tinha eu perdido dois entes tão queridos e não me achava hoje Rei! Enfim, seja feita a Vossa vontade, Meu Deus!
(...) Como disse mais atrás, eu estava em Lisboa quando foi 28 de Janeiro; houve uma pessoa minha amiga (que, se não me engano, foi o meu professor Abel Fontoura da Costa) que disse a um dos Ministros que eu gostava de saber um pouco o que se passava, porque isto estava num tal estado de excitação. O João Franco escreveu-me então uma carta que eu tenho a maior pena de ter rasgado, porque nessa carta dizia-me que tudo estava sossegado e que não havia nada a recear! Que cegueira!
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Mas passemos agora ao fatal dia 1 de Fevereiro de 1908, sábado. De manhã tinha eu tido o Marquês Leitão e o King. Almocei tranquilamente com o Visconde d'Asseca e o Kerausch. Depois do almoço estive a tocar piano, muito contente porque naquele dia dava-se pela primeira vez "Tristão e Ysolda" de Wagner em S. Carlos. Na véspera tinha estado tocando a 4 mãos, com o meu querido mestre Alexandre Rey Colaço, o Septuor de Beethoven, que era, e é, uma das obras que mais aprecio deste génio musical.
Depois do almoço à hora habitual, quer dizer às 13:15h, comecei a minha lição com o Fontoura da Costa, porque ele tinha trocado as horas da lição com o Padre Fiadeiro. A hora do Fontoura era às 17:30h., acabei com o Fontoura às 15 horas e pouco depois recebi um telegrama da minha adorada Mãe dizendo-me que tinha havido um descarrilamento na Casa-Branca, não tinha acontecido nada, mas que vinham com três quartos de hora de atraso. Vendo que nada tinha acontecido dei graças a Deus, mas nem me passou pela mente, como se pode calcular, o que havia de acontecer.
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Agora pergunto-me eu: aquele descarrilamento foi um simples acaso? Ou foi premeditado para que houvesse um atraso e se chegasse mais tarde? Não sei. Hoje fiquei em dúvida. Depois do horror que se passou fica-se duvidando de muita coisa. Um pouco depois das 4 horas saí do Paço das Necessidades num "landau" com o Visconde d'Asseca em direcção ao Terreiro do Paço para esperarmos Suas Majestades e Alteza. Fomos pela Pampulha, Janelas Verdes, Aterro e Rua do Arsenal. Chegámos ao Terreiro do Paço.
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Na estação estava muita gente da corte e mesmo sem ser. Conversei primeiro com o Ministro da Guerra, Vasconcellos Porto, talvez o Ministro de quem eu mais gostava no Ministério do João Franco. Disse-me que tudo estava bem. Esperamos muito tempo; finalmente chegou o barco em que vinham os meus Pais e o meu Irmão. Abracei-os e viemos seguindo até à porta onde entrámos para a carruagem os quatro. No fundo a minha adorada Mãe, dando a esquerda ao meu pobre Pai. O meu chorado Irmão diante do meu Pai e eu diante da minha Mãe.
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Sobretudo o que agora vou escrever é que me custa mais: ao pensar no momento horroroso que passei confundem-se-me as ideias. Que tarde e que noite mais atroz! Ninguem n'este mundo pode calcular, não, sonhar o que foi. Creio que só a minha pobre e adorada Mãe e Eu podemos saber bem o que isto é!
Vou agora contar o que se passou n'aquela histórica Praça. Saímos da estação bastante devagar. Minha Mãe vinha-me a contar como se passou o descarrilamento na Casa Branca quando se ouviu o primeiro tiro no meio do Terreiro do Paço, mas que eu não ouvi. Era sem dúvida o sinal para começar aquela monstruosidade. [...]
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Eu estava olhando para o lado da estátua de D. José e vi um homem de barba preta com um grande gabão. Vi esse homem abrir a capa e tirar uma carabina. Estava tão longe de pensar num horror destes que disse para mim mesmo: «Que má brincadeira.» O homem saiu do passeio e veio por-se atrás da carruagem e começou a fazer fogo. [...] Logo depois de o Buiça ter feito fogo (que eu não sei se acertou) começou uma perfeita fuzilada como numa batida às feras. [...]
Saiu de baixo da arcada do Ministério um outro homem que desfechou uns poucos de tiros à queima-roupa sobre o meu pobre Pai. Uma das balas entrou pelas costas e outra pela nuca, o que o matou instantaneamente. [...] Depois disto não me lembro quase do resto: foi tão rápido! Lembro-me perfeitamente de ver minha adorada e heróica Mãe de pé na carruagem com um ramo de flores na mão gritando àqueles malvados animais: "Infames, infames."
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«A confusão era enorme. [...] Vi o meu Irmão em pé dentro da carruagem com uma pistola na mão. [...]
«De repente, já na rua do Arsenal, olhei para o meu queridíssimo Irmão. Vi-o caído para o lado direito com uma ferida enorme na face esquerda, de onde o sangue jorrava como de uma fonte. Tirei um lenço da algibeira para ver se lhe estancava o sangue. Mas que podia eu fazer? O lenço ficou logo como uma esponja. [...]
Eu também fui ferido num braço por uma bala. Faz o efeito de uma pancada e um pouco de uma chicotada. [...]
«Agora que penso neste pavoroso dia e no medonho atentado parece-me e tenho quase a certeza (não quero afirmar, porque nestes momentos angustiosos perde-se a noção das coisas) que eu escapei por ter feito um movimento instintivo para o lado esquerdo. [...]"
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D. Carlos I (1863-1908)
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Nasceu em 28 de Setembro de 1863, no Palácio da Ajuda, em Lisboa.
De seu nome completo Carlos Fernando Luís Maria Victor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão.
Filho de D. Luís I e de D. Maria Pia de Sabóia, por sua vez, filha de Vítor Manuel II de Itália.
D. Carlos recebe uma educação que pretende prepará-lo para futuro rei.
Em Abril de 1886 é anunciado o noivado com Amélia de Orléans, filha dos Condes de Paris, com quem casa, em Lisboa, a 22 de Maio desse ano.
Em 1887 nasceu o seu primeiro filho, D. Luís Filipe.
Em 1888 nasce e morre uma sua filha.
Em 1889, com a morte de seu pai, D. Luís, ascende ao trono, sendo aclamado rei em Dezembro.
Nesse mesmo ano nasce o seu terceiro filho, D. Manuel.
Pouco depois de subir ao trono, o novo monarca enfrentou uma profunda crise. Em 1890, morreu o sonho português do mapa cor-de-rosa, com o Ultimatum inglês.
Os projectos portugueses de união entre Angola a Moçambique buliam com os interesses britânicos de ligação do Cairo ao Cabo. Os portugueses foram obrigados a renunciar ao seu projecto e, internamente, a reacção foi vigorosa. O ambiente era de grande contestação anti-britânica e esta foi capitalizada pelo movimento republicano, sendo que a contestação se torna, também, anti-monárquica.
No ano seguinte, em 1891, assistiu-se à primeira tentativa revolucionária republicana, o “31 de Janeiro”, no Porto.
Num contexto de crise do liberalismo, a vida política degradava-se. D. Carlos tenta, no plano externo, remediar junto das principais cortes europeias a situação de crise em que havia mergulhado o império colonial português. Em 1899, é assinado o Tratado de Windsor com a Inglaterra, que definiria as fronteiras coloniais entre os dois países.
Em 1903 recebe Eduardo VII de Inglaterra, em Abril, e, em Dezembro, Afonso XIII de Espanha.
Em 1904 retribui a visita e desloca-se a Inglaterra.
Em 1905 recebe a visita da rainha Alexandra de Inglaterra, do imperador Guilherme II da Alemanha e do presidente da República francesa Loubet.
Em 1906 desloca-se a Espanha, em viagem oficial. Estas campanhas internacionais são acompanhadas, no plano interno, pela chamada ao governo, em 1906, de João Franco.
Em 1907 faz a sua décima segunda e última campanha oceanográfica. A sua biografia não se esgota na vida política. Dedicou grande atenção às propriedades da Casa de Bragança, designadamente em Vila Viçosa, onde com frequência organizava grandes caçadas.
Manifestou também, desde cedo, uma “paixão pelo mar”. D. Carlos I, em 1896, dirigiu a primeira campanha oceanográfica portuguesa, actividade que manteve, anualmente, até 1907, sendo premiado internacionalmente. Foi igualmente um aguarelista de mérito.
Morreu no atentado do Terreiro do Paço, a 1 de Fevereiro de 1908, que vitimou igualmente o seu filho primogénito (o príncipe Luís Filipe).
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(Fundação Mário Soares)